O QUE É ESCASSEZ?

“A primeira lição da economia é a escassez: Nunca há o bastante de algo para satisfazer todos aqueles que o querem”

Thomas Sowell

INTRODUÇÃO

No presente texto irei explicar em detalhes o que é escassez e a importância da compreensão desse conceito para se compreender a Economia.

ALGUMAS DEFINIÇÕES DE ECONOMIA

O conceito de Escassez é tão fundamental para a economia que muitos economistas renomados chamam a economia de, a ciência da escassez. E isso pode ser demonstrado vendo algumas definições muito famosas de economia:

“A economia é a ciência que estuda as formas de comportamento humano resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que, embora escassos, se prestam a usos alternativos”

Lionel Robbins

“O estudo da distribuição de recursos escassos para satisfazer fins conflitantes”

Gary Becker

“Economia é o estudo de como a sociedade administra seus recursos escassos”

Gregory Mankiw

“A economia é o estudo de como indivíduos, instituições e sociedade escolhem lidar com a condição de escassez”

Alfred Mill

O QUE É UM BEM ESCASSO?

Não entraremos no mérito de qual definição de economia é mais precisa, até porque existem muitas outras, porém endossamos a importância do estudo da escassez para a economia. E para entender o porquê disso, iremos explicar o que é escassez e qual a importância de estudá-la.

Antes de qualquer coisa, é necessário entender o que escasso significa: “a somatória daquilo que todo mundo quer supera o que realmente está disponível” Thomas Sowell. Pode parecer simples, mas esse princípio leva a conclusões importantes e dele surgem as leis econômicas. Vamos voltar à definição de Robbins sobre economia. Ele diz que as necessidades são ilimitadas (atenção nesse ponto) e isso torna a grande maioria dos recursos escassos. Afinal, não há o suficiente para satisfazer todas as necessidades humanas, visto que quando uma necessidade (objetivo) é superada, logo surgem outras. É válido mencionar que não existe diferença de natureza entre aquilo que chamaremos de necessidades e de desejos. É uma confusão comum pensar que necessidade é apenas o que nos mantém vivos, e que outros desejos são considerados “fúteis” e portanto as leis econômicas funcionariam de maneira diferente para um ou para outro. Essa divisão não existe do ponto de vista da economia, sendo apenas um viés nosso. Os bens estão sujeitos às mesmas leis econômicas desde que sejam escassos, independentemente de nós os considerarmos mais ou menos fundamentais para o atingimento dos nossos fins.

Alguns exemplos de bens escassos são: comida, moradia, serviços, o tempo que temos disponível, a energia que nosso corpo usa, entre outros.

USOS ALTERNATIVOS

Outro ponto interessante da definição de economia de Robbins é que ele nos mostra que os recursos além, de escassos, têm usos alternativos: Como os bens têm usos alternativos e eles são escassos, não é possível usá-los quantas vezes quisermos: as coisas gastam, desgastam, deterioram com o uso. É impossível comer a mesma comida duas vezes. É impossível agir sem gastar energia e sem utilizar tempo e espaço físico. É impossível usar um bem para múltiplas finalidades distintas e conflitantes simultaneamente: não dá para dirigir um carro para o sul e para o norte ao mesmo tempo; não dá para usar a mesma porção de terra para cultivar soja e trigo ao mesmo tempo; não dá para usar nosso tempo disponível para dormir e trabalhar simultaneamente; uma lâmpada não pode estar acesa e apagada. Não dá, simplesmente. Todos os bens estarão em um único estado específico em um determinado momento. São restrições que a realidade nos impõe e não é possível fugir delas, contorná-las ou desobedecê-las.

Agora, combinando essas impossibilidades citadas com o fato de que nós temos determinadas necessidades, desejos e objetivos, e para satisfazê-los precisamos usar recursos escassos, pode-se concluir que certas formas de utilizar os bens irão nos satisfazer mais do que outras, logo, é necessário decidir como faremos uso deles, ou seja, como alocar os recursos, que fim daremos a eles. Sempre há uma tomada de decisão nos esperando: estamos o tempo todo alocando nosso tempo, nossa energia, bens materiais, energia elétrica, etc. Inclusive, não fazer nada, por si só, já é uma decisão. Significa que podemos escolher quando utilizar os recursos no tempo, se queremos usá-los agora ou depois. Temos preferência temporal. Nós agimos para decidir como e quando os recursos disponíveis serão utilizados, tudo dentro das limitações que a realidade nos impõe.

DESEJOS ILIMITADOS

Agora vamos entender o porquê dos nossos desejos serem considerados ilimitados. Os desejos surgem a partir de insatisfações, onde as pessoas irão agir para aumentar seu nível de satisfação. Aqui daremos duas razões pelas quais os desejos são ilimitados, e a primeira é: 

-As necessidades básicas: fome, sede, sono, saúde, higiene, entre outras. E essas necessidades voltam com recorrência, não há como saciá-las de uma vez por todas. Iremos solucionar essas necessidades quando elas aparecerem. Mas uma vez que estas são supridas, buscamos saciar outras necessidades e atingir novos objetivos até que essas necessidades mais básicas precisem de atenção novamente. 

-A segunda razão surge desses novos objetivos. Alguém que viveu na pré-história poderia pensar que não existem outras demandas além daquelas que ele estava acostumado a ver: como caçar para matar a fome, procurar água, buscar abrigo do frio, do calor e da chuva e procriar. Essa pessoa não sentiu falta de energia elétrica, vontade de comer chocolate, de assistir a um filme ou acessar à internet. Esses desejos modernos não passavam pela mente dos povos mais antigos, mas hoje nós os sentimos, o que houve no meio do caminho? A resposta é relativamente simples: os povos mais modernos têm objetivos que os mais antigos não tinham pois sequer tinham pensado neles, e esses objetivos foram sendo criados ao longo do tempo, gerando demanda por soluções e inovações. Em algum momento, o homem descobriu o fogo e percebeu que a carne ficava melhor quando aquecida, percebeu que era possível usar o fogo para se aquecer no frio e o usar para múltiplas outras finalidades, o que o incentivou a aprender a dominar o fogo em seu favor; em outro momento, decidiu que iria atravessar um rio e, para isso, precisava construir algum tipo de embarcação, mais um objetivo criado; depois, alguém decidiu que faria grandes construções, que teríamos luz durante a noite, que nos comunicaríamos à distância, etc. Cada uma das coisas que existem hoje surgiu porque alguém quis atingir um objetivo a partir de uma insatisfação que sentia e que tentou solucionar, e daí surgiram necessidades que não existiam antes. As pessoas buscam elevar seu padrão de vida. Porém elas não são iguais e para entender isso é necessário enxergá-las como indivíduos. Nossos desejos não são iguais aos dos outros, temos gostos em comum com algumas pessoas, porém cada um de nós é único. Todos necessitamos de comida, porém nossos paladares são diferentes, você pode gostar de pizza, mas um amigo seu não, e vice-versa. Os desejos se diferem até mesmo em irmãos gêmeos que foram criados pelos mesmos pais, estudaram na mesma escola e dividiram a mesma casa. Não é incomum encontrar irmãos gêmeos que têm preferências distintas sobre diversas áreas da vida: profissão, entretenimento, paladar, entre outros. Um mesmo evento proporciona diferentes experiências, sensações e sentimentos em cada pessoa.

CONCLUSÃO

Sabendo que os nossos desejos são incontáveis e que os recursos são escassos, pode-se perceber que há um problema, pois estamos falando de desejos ilimitados e recursos escassos. Este é o principal problema da economia: a escassez. Temos que tomar decisões de como alocar os recursos escassos considerando que eles têm diversos usos alternativos que trariam resultados diferentes e serviriam para alcançar objetivos diferentes. E esse é o porquê da economia e de suas leis existirem, tudo isso faz sentido porque os recursos disponíveis são escassos. A partir do que foi discutido neste artigo, conclui-se que nunca haverá um dia em que todos os nossos desejos já estariam resolvidos para sempre e não seria mais necessário trabalhar e produzir.

Em um mundo hipotético onde não haja escassez, não teria porque economizar, poupar e racionar os recursos. Todas as coisas das quais sentiríamos falta já estariam ali para nos satisfazer. As leis da economia estariam suspensas. Mas a realidade é que não vivemos nesse mundo hipotético, a escassez é real e a humanidade vive buscando melhores formas de lidar com esse problema.

Texto escrito por: Gabriel Almeida Braga e Douglas Martins Renesto.

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Gabriel Almeida Braga

Gabriel Almeida Braga

Escritor, estudante de Ciências Econômicas, gosta principalmente de Microeconomia e da História do Pensamento Econômico (HPE), graduando em Administração de Empresas, cofundador da Apptime, fundador da iniciativa Economia para Iniciantes e editor-chefe do site Econotime.

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