O que é DINHEIRO? | Escambo, origem e sua função na economia

INTRODUÇÃO

No presente artigo iremos falar sobre a evolução do comércio, passando por temas como divisão do trabalho, escambo, mercado, tipos de dinheiro, características de um bom dinheiro e por fim analisaremos o dinheiro como conhecemos hoje.

COOPERAÇÃO HUMANA

As pessoas estão em constante busca por satisfazer suas necessidades, porém, é muito difícil atualmente que consigamos satisfazer nossas necessidades sozinhos. É impossível que uma única pessoa produza tudo que precisa para ter uma vida minimamente moderna: não é possível obter tempo, e muito menos, todo o conhecimento necessário para aprender a produzir tudo. É natural que cada pessoa seja mais eficiente em alguma tarefa do que em outras, de forma que as pessoas se especializem em tarefas diferentes.

Em algum momento os humanos perceberam que é mais vantajoso que cada um faça aquilo que sabe fazer melhor e depois troquem entre si, do que cada um tentar fazer tudo. Pense, quantas das coisas que você tem foram feitas por você? Nosso padrão de vida exige que um número incontável de pessoas coopere entre si para produzir os bens que utilizamos. E o escambo nada mais que é uma forma de fazer as pessoas cooperarem entre si. Em resumo, escambo significa troca direta.

ESCAMBO

Vamos a um exemplo: suponha que João seja um carpinteiro, especialista em fabricar móveis de madeira. Esse é um serviço demorado e não resolve todas as necessidades de João. Ele tem suas necessidades alimentares, por exemplo, e isso não será resolvido fabricando móveis, ou seja, ele precisa adquirir comida e outros diversos bens de outras fontes que não sejam a sua própria produção. Produzir comida também é custoso e demorado, dificultaria João realizar as duas atividades. No entanto, a fazendeira Luana – que trabalha no plantio – está querendo novos móveis para mobiliar sua casa. Então João irá trocar seus móveis por uma quantidade de comida que Luana cultiva em sua fazenda. Perceba que o comércio é uma via de mão dupla: assim como João precisa dos serviços de Luana porque seria inviável realizar os dois trabalhos sozinho, Luana precisa dos serviços de João porque também não pode fazer tudo sozinha. Isso foi um exemplo considerando apenas duas pessoas, mas no mundo real, essa lógica se expande para muitas pessoas fazendo comércio entre si, uma grande rede. Chamamos esta grande rede de Mercado.

Um exemplo atual de escambo é o que ocorre em pontos de troca de figurinhas, você troca uma figurinha repetida por uma que você não tem, e a outra pessoa troca uma repetida dela pela sua figurinha. Com essas trocas, ambos podem chegar mais perto de completar seu álbum. Contudo, o escambo é uma troca direta de um produto por outro sem utilizar moeda, mas existem algumas dificuldades que surgem disso e a principal dificuldade é que para que o escambo ocorra é necessário existir uma coincidência de desejos, i.e., você precisa desejar o que o outro tem e ele precisa desejar o que você tem. Obviamente isto acaba por restringir muito a possibilidade de trocas. Como vimos, trocas acontecem quando as pessoas cooperam, portanto, qualquer dificuldade que apareça nesse processo irá atrapalhar as pessoas de cooperarem entre si para que suas necessidades sejam satisfeitas. O escambo surgiu para resolver um problema de ordem maior, mas ainda deixa alguns problemas menores, o que necessita de uma nova solução. Algo que permita que as trocas sejam realizadas de maneira indireta. Por esta razão, surgiu o dinheiro.

A ORIGEM DO DINHEIRO

O dinheiro veio para facilitar o escambo e resolver as dificuldades que existiam com as trocas diretas. O dinheiro funciona como uma espécie de vale-presente universal, onde o comércio pode acontecer mesmo que os clientes não tenham em mãos o que os comerciantes desejam. Não é mais necessário que os desejos das duas partes coincidam entre si, dessa forma, é possível que uma pessoa faça comércio com qualquer outra. Agora todos podem cooperar entre si. Lembre-se: as trocas acontecem para que as pessoas consigam aquilo que elas precisam (pois não conseguem produzir tudo sozinhas), logo, facilitar este processo significa facilitar o atendimento das necessidades humanas. Portanto, dinheiro é aquilo que é usado como meio de troca.

CARACTERÍSTICAS DO DINHEIRO

O dinheiro pode ser qualquer coisa, contanto que ele seja escasso e as pessoas o aceitem como moeda de troca. O dinheiro já foi, por exemplo: sal (daí vem o termo salário), tabaco, conchas, inclusive já foi pedras (Ilha Yap) dentre diversas outras coisas. Porém, no processo evolutivo de mercado, dois metais preciosos foram escolhidos por várias civilizações como moedas de troca, esses metais foram o ouro e a prata.

Para um dinheiro ser considerado bom ele precisa atender essas quatro características:

• Aceitabilidade: precisa ser aceito pelas pessoas. Afinal, caso ninguém o aceitasse em troca de seus produtos ele não serviria;

• Divisibilidade: o dinheiro precisa poder ser dividido em unidades menores. Exemplo: 100 Leonscoins, 50 Leonscoins, 20 Leonscoins, 10 Leonscoins,  1 Leonscoin, 50 Leonscents, etc;

• Servir como reserva de valor: para ser bom, o dinheiro não pode perder seu valor rapidamente, isto é, se ele perde a maior parte do seu poder de compra em poucos meses, ele é considerado um dinheiro ruim, pois desvaloriza muito rápido;

• Outro ponto positivo do dinheiro é que ele permite o cálculo econômico, o sistema de preços como o conhecemos.

FUNÇÃO DO DINHEIRO

Vejamos através de um exemplo como o dinheiro facilita a vida das pessoas:

João fabrica móvel e os vende por determinada quantia e, com esse dinheiro, compra o que ele precisa. As pessoas de quem ele irá comprar irão precisar do dinheiro para comprar outros produtos, então fica muito mais fácil realizar as trocas voluntárias, em outras palavras, facilita na cooperação entre pessoas. João não precisa que uma pessoa específica deseje seus móveis, ele só precisa que alguém com dinheiro deseje seus móveis para que ele possa os vender, e assim por diante.

É importante ressaltar o que Adam Smith já nos disse séculos atrás:

“O que o tomador quer na realidade, e o que o emprestador lhe fornece, não é o dinheiro em si mesmo, senão o valor que ele tem, vale dizer, os bens que com ele se podem comprar.”

(SMITH, 1996, p. 350)

Caso não pudéssemos trocar nosso atual dinheiro por outros produtos, serviços ou pagar nossos impostos, não passaria de papel pintado. Ela tem valor porque as pessoas a aceitam como moeda de troca. O valor do dinheiro vem do que você pode comprar com esse dinheiro. Caso as pessoas parassem de aceitar esse dinheiro, seu valor iria cair muito chegando próximo de 0.

Note que não há grande diferença de custo para a produção de uma nota de US$1 e uma nota de US$100. O custo para se fabricar ambas as notas é praticamente o mesmo. Mesmo assim US$100 valem cem vezes mais que US$1. E isso é devido ao fato de que a nota de US$100 pode ser trocada por muito mais produtos/serviços. O dinheiro tem valor, pois acreditamos que ele será aceito por outras pessoas e as outras pessoas realmente o aceitam para comprar o que acharem melhor.

CONCLUSÃO

É como o prêmio Nobel em economia no ano de 1974, F.A. Hayek escreveu na sua obra “O Caminho da Servidão”:

“Se lutamos pelo dinheiro, é porque ele nos permite escolher da forma mais ampla como melhor desfrutar os resultados de nossos esforços. Visto que, na sociedade moderna, as restrições ainda impostas por nossa relativa pobreza se refletem na limitação da nossa renda pecuniária, muitos passaram a odiar o dinheiro como símbolo dessas restrições. Mas isso significa confundir com a sua causa o meio pelo qual uma força se faz sentir. Seria muito mais certo dizer que o dinheiro é um dos maiores instrumentos de liberdade já inventados pelo homem. É o dinheiro que, na sociedade atual, oferece ao homem pobre uma gama de escolhas extraordinariamente vasta, bem maior do que aquela que há poucas gerações se oferecia aos ricos.”

(HAYEK, 2010, p.102)

REFERÊNCIAS:

HAYEK, F.A. O caminho da servidão / F. A. Hayek.; Tradução de Anna Maria Capovilla, José Ítalo Stelle e Liane de Morais Ribeiro – São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010.

SMITH, Adam. An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations/ Adam Smith; tradução de Luiz João Baraúna – São Paulo: Editora Nova Cultural Ltda, 1996.

Gabriel Almeida Braga

Gabriel Almeida Braga

Escritor, estudante de Ciências Econômicas, gosta principalmente de Microeconomia e da História do Pensamento Econômico (HPE), graduando em Administração de Empresas, cofundador da Apptime, fundador da iniciativa Economia para Iniciantes e editor-chefe do site Econotime.

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