A MÃO INVISÍVEL DO MERCADO – ADAM SMITH

INTRODUÇÃO

Um dos conceitos mais famosos e muitas vezes mal interpretado é o conceito da mão invisível do mercado. Não é incomum ver pessoas confundindo o significado de conceito, alguns dizendo de forma equivocada que é “a mão invisível de Deus” outros dizendo que ela significaria “planejamento central”, afirmações totalmente equivocadas. Outro termo muito deturpado é a famosa Lei de Say (Lei dos mercados). Essa confusão provém do fato de que as pessoas estão lendo interpretações equivocados feitas por terceiros. Não é exagero dizer que muitas vezes o que é difundido são “espantalhos” sobre as ideias de Jean-Baptiste Say (1767-1832) e Adam Smith (1723-1790). Obviamente também existem grandes estudiosos que escreveram grandes obras sobre esses dois pensadores e foram fieis com as ideias do autor, mas mesmo com ótimas interpretações o ideal é lermos diretamente da fonte e por isso já deixo minha recomendação para as leituras dos livros de Smith (Em especial “A Riqueza das Nações”) e para a leitura do principal livro de Say (Tratado de Economia Política).

No presente texto falaremos sobre “A Mão Invisível do Mercado”, conceito introduzido por Adam Smith. Iremos mostrar por meio de exemplos e trechos das próprias obras de Smith o que ele realmente defendeu.

A MÃO INVISÍVEL

Em suas obras, Teoria dos Sentimentos Morais e A Riqueza das Nações. Adam Smith usou poucas vezes o termo “mão invisível”. Porém esse termo é utilizado para representar sua principal ideia ou pelo menos sua ideia mais famosa.

Essa ideia consiste em defender que as pessoas colaboram entre si, com cada uma buscando seu próprio interesse. As pessoas em busca de seus próprios interesses irão acabar colaborando entre si e assim iram ajudar no desenvolvimento da sociedade, mesmo que não percebam. Como diria Smith “como se tivesse uma mão invisível as guiando”.

Bom vamos entender essa ideia com uma passagem de Smith em seu livro mais famoso, A Riqueza das Nações:

“Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que ele tem pelos próprios interesses. Apelamos não à humanidade, mas ao amor-próprio, e nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter. “

Adam Smith

Veja em sua famosa passagem sobre a benevolência do padeiro, cervejeiro e açougueiro, Smith demostra que todas essas pessoas estão colaborando com a sociedade quando vendem seus produtos ou serviços, mas que elas não fazem isso por serem necessariamente boazinhas. Elas fazem porque precisam do dinheiro da venda para sobreviver, assim como você precisa desses itens para jantar e assim, satisfazer sua necessidade de se alimentar.

Em casos de trocas voluntárias, os dois saem satisfeitos. Você porque recebeu os itens que precisava e os comerciantes porque recebem o dinheiro que precisam para comprar as coisas que necessitam.

Como já mostrado em meu vídeo sobre a origem do comércio, as pessoas não conseguem fazer tudo sozinhas, então é normal que cada pessoa faça o que faz de melhor e depois venda o seu produto ou serviço, para, posteriormente, comprar de outras pessoas que fornecerão outros bens.

EXEMPLO

Vamos a um exemplo:

João é dono de uma pizzaria. Ele tem uma pizzaria não apenas porque gosta de fazer pizza. Ele tem uma pizzaria também porque precisa comer, pagar aluguel, pagar o plano de saúde dos filhos, a escola, viajar com a família etc. E como ele tem talento para fazer pizzas, ele as produz e satisfaz diversos clientes. Um desses clientes é Pedro, ele é um apreciador de pizzas e sempre vai na pizzaria de João, Pedro precisa de dinheiro para ir à pizzaria, pagar as contas etc. Então trabalha como engenheiro em uma construtora que faz prédios. Essa construtora vende os apartamentos para pagar seu salário e de outros empregados. As pessoas que irão comprar os apartamentos por sua vez trabalham para poder pagar o apartamento e assim por diante. A lógica vai só se expandindo.

Essa lógica fica clara na passagem mais famosa do livro, A Riqueza das Nações, Smith escreve:

“É sua própria vantagem, de fato, e não a da sociedade, que [cada pessoa] tem em vista. Mas o estudo de sua própria vantagem naturalmente, ou melhor, necessariamente, leva-o a preferir aquele emprego que é mais vantajoso para a sociedade”

Adam Smith

Smith também diz que o individuo:

“geralmente, de fato, nem pretende promover o interesse público, nem sabe o quanto ele está promovendo”; “Ao orientar sua atividade de tal modo que sua produção tenha mais valor, ele visa apenas, o seu próprio ganho, e neste caso, como em muitos outros, é conduzido por uma mão invisível a promover um fim que não fazia parte da sua intenção”

Adam Smith

CONCLUSÃO

Como podemos ver, o que Adam Smith defende é que em uma sociedade onde é permitido existir liberdade de comércio, as pessoas irão cooperar entre si, sem depender da benevolência uma das outras. Mesmo que ela esteja sendo movida apenas pelo seu próprio interesse, ela terá que fornecer, serviços/produtos que agradem outras pessoas para receber esse dinheiro e assim ter o dinheiro para satisfazer seus desejos pessoais. Mesmo que ela não faça de forma consciente, ela ajudará a promover o interesse público.

Para fechar segue uma frase que a meu ver melhor descreve o ponto de Smith é:

“O que vai gerar a riqueza das nações é o fato de cada indivíduo procurar o seu desenvolvimento e crescimento econômico pessoal”

Adam Smith

FONTES

Para realização desse vídeo foram utilizados esses seguintes livros:

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A riqueza das nações: https://amzn.to/3xDiBG

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Gabriel Almeida Braga

Gabriel Almeida Braga

Escritor, estudante de Ciências Econômicas, gosta principalmente de Microeconomia e da História do Pensamento Econômico (HPE), graduando em Administração de Empresas, cofundador da Apptime, fundador da iniciativa Economia para Iniciantes e editor-chefe do site Econotime.

3 thoughts on “A MÃO INVISÍVEL DO MERCADO – ADAM SMITH

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