Economia com os Três Porquinhos! Preferência Temporal!

INTRODUÇÃO

Vocês, assim como eu, já devem conhecer a história dos três porquinhos. Quando mais jovem, assisti o desenho dezenas de vezes, mas nunca havia percebido os importantes ensinamentos econômicos presentes naquela história.

Neste texto falarei sobre minha percepção quanto aos ensinamentos contidos nos Três Porquinhos e sua conexão com a economia.

Vale lembrar que me basearei na versão em desenho (Disney), afinal existem diferentes versões desta história.

OS TRÊS PORQUINHOS

Primeiramente, vamos contextualizar: os três porquinhos eram irmãos e, mesmo tendo objetivos de vida diversos, tinham desafios semelhantes. Por exemplo, um problema que os três tinham em comum era o risco de serem atacados pelo famigerado Lobo Mau.

Para se abrigar e se proteger do Lobo Mau, decidiram que teriam que construir uma moradia para cada um. Sabemos que isso requer investimentos não só de materiais, mas também de tempo: eles iriam precisar renunciar ao seu tempo de lazer para dedicar-se ao trabalho de construir uma casa.

PREFERÊNCIA TEMPORAL

E aqui entra um ponto importante: quanto mais tempo cada um colocasse na construção de sua casa, maior a tendência dela ser melhor e mais resistente a ataques. Contudo, teriam menos tempo para o lazer e demais afazeres presentes. Qual seria o mais vantajoso? Gastar mais tempo presente construindo uma casa para ter maior proteção e conforto no futuro? Ou ter mais tempo para se divertir no presente, acelerando a construção da casa mesmo que isso significasse relativamente menor proteção e conforto no futuro? Eles estavam diante de um trade-off.

Independente da escolha prática, esta seria uma decisão econômica, já que temos preferência temporal, essa é uma das mais importantes lições da economia: a preferência temporal, que significa a tendência de preferir a satisfação presente à futura, visto que a espera é um custo. Quanto mais alta é a preferência temporal mais latente é a preferência pelo consumo presente e quanto mais baixa a preferência temporal mais disposto o indivíduo é a postergar sua satisfação presente para poder consumir no futuro.

Como bem disse o professor Jesús Huerta de Soto:

“a categoria lógica da preferência temporal, que estabelece que, ceteris paribus, o ator prefere satisfazer as próprias necessidades ou atingir os objetivos o mais cedo possível.”

(DE SOTO, 2012, p. 247)

Como são porquinhos diferentes, é lógico que também teriam preferências temporais distintas.

INVESTIMENTO

O primeiro irmão estava pouco disposto a renunciar a seu tempo de lazer, e então construiu rapidamente uma casa de palha, indo se divertir a seguir. Valorizava sua diversão neste instante e se preocupava pouco com o futuro. (Alta preferência temporal).

O segundo porquinho sacrificou um pouco mais do seu tempo de lazer e construiu uma casa de madeira. Por seu investimento maior, foi capaz de construir uma casa melhor e mais segura quando comparada à casa de palha de seu irmão, porém ainda longe do ideal.

O terceiro porquinho, por sua vez, decidiu construir uma casa de tijolos. Por ter muito mais etapas na construção, teve que renunciar a muito de seu lazer para poder brincar com segurança no futuro (Baixa preferência temporal). No desenho vemos que seus irmãos até mesmo zombavam dele por se dedicar tanto ao trabalho.

Fica bem claro que este porquinho estava fazendo um investimento de longo prazo: demorou mais tempo, trabalhou muito mais, teve que fazer mais sacrifícios, porém, conseguiu terminar sua bela, grande e segura casa.

RESULTADO

Você já conhece a história e sabe que, no fim das contas, o Lobo Mau destruiu as casas de palha e madeira, mas falhou em destruir a casa de tijolos do terceiro porquinho. O investimento feito na construção da casa, que antes era motivo de chacota, se mostrou um ótimo investimento, pois foi o único que conseguiu resistir ao ataque do Lobo Mau.

CONCLUSÃO

A análise econômica desta história permite-nos ver com facilidade o quanto esses conceitos permeiam todas as escolhas de nossas vidas (preferência temporal, trabalho, custo de oportunidade, escassez). A grande parte dos recursos são escassos, e essa história mostra como o tempo é um recurso bastante escasso. Frequentemente somos confrontados com escolhas sobre o que fazer naquele mesmo tempo: ler um livro, tomar um banho, caminhar, assistir mais um vídeo do canal Economia para Iniciantes… Existem infindáveis escolhas, e o simples fato de ponderar sobre elas já é uma ação econômica.

ECONOMIA COM A CIGARRA E A FORMIGA:

Caso queira conhecer a outra produção da serie “Economia para Crianças” veja meu vídeo onde ensino vários conceitos econômicos e entre eles o de poupança, trabalho, divisão do trabalho, preferência temporal, custo de oportunidade e muitos outros conceitos ensinados por meio de uma animação sobre a historia “A Cigarra e a Formiga”:

REFERÊNCIAS:

DE SOTO, Jesús Huerta (2012): Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos / Jesús Huerta de Soto ; tradução de Márcia Xavier de Brito. – São Paulo : Instituto Ludwig von Mises. Brasil, 2012. 736 p.

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Gabriel Almeida Braga

Gabriel Almeida Braga

Escritor, estudante de Ciências Econômicas, gosta principalmente de Microeconomia e da História do Pensamento Econômico (HPE), graduando em Administração de Empresas, cofundador da Apptime, fundador da iniciativa Economia para Iniciantes e editor-chefe do site Econotime.

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