Devemos ler Adam Smith?

INTRODUÇÃO

Adam Smith (1723-1790) talvez seja o economista mais famoso de toda a história e também um dos mais polêmicos. No presente ensaio irei demonstrar o porque devemos ler Smith mesmo que ele tenha cometido erros.

A MÃO INVISIVEL

Não é incomum nos depararmos com muitas charges deturpando as visões do economista escocês, em especial seu insight que ficou conhecido como “A Mão Invisível do Mercado”. Normalmente essas charges são deturpações caricatas, que mostram muito mais sobre quem as desenhou do que sobre Adam Smith.

Bom, se você quer saber realmente o que Smith quis dizer com esse conceito veja o vídeo a seguir:

Adam Smith errou sobre o valor-trabalho

Adam Smith realmente se equivocou ao defender o valor-trabalho, porém nós devemos saber filtrar as ideias boas das ideias ruins. Ora, muito do que se acha correto hoje pode se descobrir que estava errado o tempo todo (em todas as áreas do conhecimento). Inclusive pode até acontecer de uma teoria que foi descartada ou ignorada, com o tempo se tornar a mais aceita. A própria teoria do valor subjetivo já havia sido “descoberta” antes de Carl Menger, como mostra o professor De Soto ao falar sobre Diego de Covarrubias (1512-1577):

“Covarrubias expôs melhor do que ninguém até então a essência da teoria subjetiva do valor, em torno da qual gira todo o enquadramento da análise econômica da Escola Austríaca, ao afirmar que “o valor de uma coisa não depende da sua natureza objetiva mas antes da estimação subjetiva dos homens, mesmo que tal estimação seja insensata”; aludindo para ilustrar a sua tese ao fato de que “nas Índias o trigo valer mais do que na Espanha porque ali os homens o estimam mais, e isso apesar de a natureza do trigo ser a mesma em ambos os lugares”

(DE SOTO, 2010, p. 51)

Porém, infelizmente, durante muito tempo, mesmo depois de Covarrubias já ter falado sobre o valor subjetivo, muitos dos maiores economistas da história ainda acreditavam que o valor era algo objetivo. Entre eles podemos citar Adam Smith, David Ricardo, Jean Baptiste Say e muitos outros. Vale lembrar que a teoria correta sempre foi a do valor subjetivo e as teorias que tratavam o valor como algo objetivo sempre estiveram incorretas, mas isso,de maneira nenhuma, significa que as outras contribuições dos economistas clássicos devem ser descartadas.

A maioria dos economistas só foram perceber o erro de se considerar o valor como algo objetivo após a “Revolução Marginalista” que se iniciou em 1871 com William Stanley Jevons e Carl Menger.

Ora, grandes intelectuais das mais variadas áreas e os quais eu admiro, como por exemplo, F.A. Hayek, Edmund Burke, Michael Oakeshott, Ludwig von Mises, Aristóteles, Platão, Sócrates, Stuart Mill, Alexis Tocqueville, Thomas Sowell, São Tomás de Aquino, Albert Einstein e muitos outros já cometeram erros e com certeza existem pontos dos quais eu discordo deles.

CONCLUSÃO

Acredito que essa frase do grande economista Fritz Machlup sintetiza a mensagem que passamos ao longo desse ensaio:

“A admiração por um grande homem e seu importante trabalho não pressupõe aceitação acrítica de todos os seus pontos de vistas.”

Fritz Machlup

Adam Smith tem outras importantes contribuições como por exemplo a “Teoria da Divisão do Trabalho”, mas o ponto é que, descartar qualquer obra ou pensador só porque o mesmo cometeu algum erro é um equivoco ainda maior.

REFERÊNCIAS

DE SOTO, Jesús Huerta (2010): A Escola Austríaca: mercado e criatividade empresarial /Jesus Huerta de Soto. — São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil. Tradução: André Azevedo Alves

MACHLUP, Fritz (2004): Ludwig von Mises: A Scholar Who Would Not Compromise: https://mises.org/library/ludwig-von-mises-scholar-who-would-not-compromise

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Gabriel Almeida Braga

Gabriel Almeida Braga

Escritor, estudante de Ciências Econômicas, gosta principalmente de Microeconomia e da História do Pensamento Econômico (HPE), graduando em Administração de Empresas, cofundador da Apptime, fundador da iniciativa Economia para Iniciantes e editor-chefe do site Econotime.

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