O que é Ceteris Paribus na economia?

Introdução

Você já deve ter percebido que muitos economistas e alguns estudantes de economia constantemente utilizam a expressão ceteris paribus! Mas, você sabe o que ela significa? Sabe qual sua importância para as ciências econômicas?

Definição de Ceteris Paribus

Ceteris paribus (coeteris paribus) é uma expressão vinda do latim que pode ser traduzida como “todo o mais é constante” ou como “mantidas inalteradas todas as outras coisas”. Qualquer uma dessas traduções é utilizada para lembrar que todas as variáveis que não são aquela que está sendo estudada são mantidas constantes, ou seja, tal expressão é utilizada para que se possa isolar variáveis e assim estabelecer as relações de causa e efeito. O professor Nicholas Gregory Mankiw (1958-), em sua obra de introdução à economia, fala da importância de se isolar variáveis nas análises econômicas:

“Embora a expressão ceteris paribus se refira a uma situação hipotética na qual algumas variáveis são mantidas constantes, no mundo real muitas coisas se alteram simultaneamente. Por isso, quando usarmos as ferramentas da oferta e da demanda para analisar fatos ou políticas, é importante ter em mente o que está sendo mantido constante e o que está mudando.”

Como usar o ceteris paribus

Vamos ilustrar esse ponto com um exemplo:

Se Eduardo disser que “quando ocorre um aumento na oferta de laranja, ceteris paribus, o preço da laranja cai”, ele está dizendo que se a oferta de laranja aumentar (atenção nessa parte) e todas as outras coisas permanecerem iguais, o preço da laranja vai cair. Veja que ele não está dizendo que “um aumento na oferta de laranja em todas as situações independente do que ocorrer com os demais fatores irá causar uma queda no preço das laranjas”. Como podemos observar, são duas afirmações bem diferentes e apenas a primeira está correta.

Muitos economistas, ao dizerem algo, já dizem pressupondo que o outro sabe que está sendo suposto que os demais fatores se mantiveram constantes, e isso é confirmado pelo professor de economia Alfred Mill:

Sempre que um economista apresentar um argumento como “Se diminuírem os impostos sobre o rendimento, então o consumo aumenta” , isso deve ser entendido como: “Se diminuírem os impostos sobre o rendimento e nada mais mudar, então o consumo aumenta”.”

Críticas

A Lei da Oferta diz que “tudo o mais mantido constante, a quantidade oferecida de um bem se eleva quando o preço do bem aumenta.”. Porém, como estamos falando de fenômenos complexos, na prática podem ocorrer alterações em diversas variáveis e essas alterações podem fazer, por exemplo, com que um aumento no preço de um bem X não gere um aumento na quantidade ofertada de tal bem e isso pode dar uma falsa impressão, para quem não conhece o conceito de “ceteris paribus“, que as leis econômicas foram refutadas ou são falsas… E assim surgem críticas infundadas à ciência econômica.

Resposta as críticas

O professor Lionel Robbins (1898-1984), em sua obra mais famosa, Um Ensaio Sobre a Natureza e a Importância da Ciência Econômica (1932), ofereceu uma resposta magistral a este tipo de crítica:

“É claro que, se as outras coisas não permanecerem inalteradas, as consequências previstas não necessariamente se seguirão. Essa banalidade elementar, necessariamente implícita em qualquer previsão científica, precisa especialmente ser mantida em primeiro plano quando se discute esse tipo de prognóstico. O estadista que disse “Que se dane o Ceteris Paribus!”, tem um grande e entusiástico séquito entre os críticos da Economia! Ninguém em seu juízo sustentaria que as leis da mecânica seriam invalidadas se um experimento destinado a ilustrá-las fosse interrompido por um terremoto. No entanto, uma maioria substancial do público leigo, e também muitos economistas soi-disant, estão continuamente criticando leis econômicas bem estabelecidas por motivos não menos infundados. Uma tarifa protetora é imposta à importação de mercadorias, cujas condições de produção doméstica garantem que, se as outras coisas permanecerem inalteradas, o efeito dessa proteção será um aumento no preço. Por alguma razão, o progresso da técnica, a redução do preço das matérias-primas, reduções salariais, ou o que quer que seja, os custos são reduzidos e o preço não aumenta. Aos olhos do público leigo e dos economistas “institucionalistas”, as generalizações da Economia são invalidadas. As leis da oferta e da procura são suspensas. As falsas alegações de uma ciência hipócrita que não considera os fatos são expostas. E assim por diante. No entanto, quem pediu aos praticantes de qualquer outra ciência que eles deveriam prever o curso completo de uma história descontrolada?”

Gabriel Almeida Braga

Gabriel Almeida Braga

Escritor, estudante de Ciências Econômicas, gosta principalmente de Microeconomia e da História do Pensamento Econômico (HPE), graduando em Administração de Empresas, cofundador da Apptime, fundador da iniciativa Economia para Iniciantes e editor-chefe do site Econotime.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.