Câmbio na Rússia dispara e juros mais que dobram

Com o mercado financeiro voltando à ativa nessa segunda-feira, o rublo russo desvalorizou em – 24,67 % apenas nesse ano de 2022.

Em reunião emergencial dessa segunda, o Banco Central da Rússia decidiu elevar os juros em uma intensidade nunca mais vista: de 9,5 para 20 %, maior taxa de juros já registrada na história do rublo em regime flutuante.

Foi uma elevação na ordem de 10,5 pontos percentuais, ou 105 pontos base.

Em nota à imprensa, Elvira Nabiullina (a presidente do banco) afirmou que as condições financeiras do país se deterioraram, diante da menor capacidade de o país usar as reservas de ouro e de moedas estrangeiras para defender a taxa de câmbio.

Assim, a elevação de juros objetiva alterar tanto as expectativas inflacionárias, quanto em proteger a poupança das famílias.

Além disso, o governo obrigou as exportadoras a venderem 80 % de suas receitas de exportações, com o objetivo de aumentar a oferta de moeda estrangeira no país.

Desempenho de rublo russo ante dólar americano, acumulado do ano (até 11 horas do horário de Brasília de hoje).
Taxa básica de juros, 20/05/2003 – 28/02/2022

Tanto por influência na alta dos juros básicos quanto por riscos fiscais, os juros longos no país dispararam, com taxas maiores do que no Brasil, algo que não acontecia desde 1º de outubro de 2019.

Juros longos Brasil (azul) x Rússia (laranja) : 31/08/2020 – 28/02/2022.
Taxa cambial dólar americano/rublo russo: 05/01/1996 – 28/02/2022.

O dólar americano disparou em rublos, chegando ao maior valor da história no dia: 107,48 rublos.

Outras medidas também incluíram controles de capitais, limitando a retirada de capital do país por estrangeiros.

Felipe Lange

Felipe Lange

Escritor, entusiasta de Economia e graduando em Biologia. Escreve e traduz artigos para o seu blog OCAL

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