Mercado Competitivo (Concorrência Perfeita) – O que é 

Mercado Perfeitamente Competitivo – Alfred Marshall

A ideia de Mercado Competitivo, mais conhecido como Mercado Perfeitamente Competitivo, ou até mesmo como Mercado Perfeito pode já ser encontrada no trabalho do saudoso economista inglês, Alfred Marshall.

Segundo Marshall:

Um mercado perfeito é uma região, grande ou pequena, onde há um certo número de compradores e de vendedores, todos tão bem informados em relação aos negócios dos outros que o preço de qualquer mercadoria é praticamente o mesmo em toda a região.

(MARSHALL, 1996, p.179)

Características da Concorrência Perfeita

A ideia de Marshall foi posteriormente desenvolvida por diversos economistas. Entre eles está o fundador da Escola de Chicago, o economista Frank Knight, que elaborou a ideia de Concorrência Perfeita.

A ideia de Marshall com algumas pequenas modificações prevalece e pode ser encontrada nos manuais de Microeconomia.  Por exemplo, o economista Gregory Mankiw (2013) em sua obra de introdução um à economia diz que mercado competitivo tem geralmente três características:

  1. Há muitos compradores e vendedores no mercado.
  2. Os bens oferecidos pelos diversos vendedores são, em grande escala, os mesmos. Por causa dessas condições, as ações de um comprador ou vendedor individual no mercado têm impacto insignificante sobre o preço de mercado. Cada comprador e cada vendedor tomam o preço de mercado como dado.
  3. As empresas podem entrar e sair livremente no mercado. (MANKIW, 2013, p. 262).

Como observa Hayek (2022) tal modelo pressupõe que todos os agentes que participam de tal mercado possuem conhecimento completo dos fatores relevantes.

TOMADORES DE PREÇOS

Podemos perceber que pelas características de um mercado perfeitamente competitivo, nenhum comprador ou vendedor é capaz de, individualmente, gerar uma grande influência no preço de tal produto. Sua contribuição para formação do preço, embora exista, é muito baixa e imperceptível. Portanto, em um mercado competitivo os agentes econômicos de modo geral tomam os preços como dados.

Vamos compreender melhor essa ideia com um exemplo:

O mercado de trigo de uma dada região onde existem muitos produtores é um exemplo de um mercado competitivo. Nenhum comprador individual de trigo é capaz de influenciar o preço do bem, pois cada comprador adquire apenas uma pequena quantidade em relação ao tamanho do mercado.

De maneira similar, o produtor de trigo tem um controle limitado sobre o preço porque há muitos outros vendedores fornecendo um produto praticamente igual (MANKIW, 2013). Como cada vendedor pode vender quanto quiser ao preço vigente, não tem incentivo para cobrar menos do que esse preço, e, se cobrar mais, os compradores tendem a procurar outra padaria (MANKIW, 2013). Os compradores e vendedores dos mercados competitivos precisam aceitar o preço que o mercado determina e daí vem a frase tão repetida pelos neoclássicos: “As empresas acatam os preços, não os criam”. A frase não deve ser interpretada de forma literal. A teoria não postula que os vendedores individualmente não possam pôr o preço que quiserem na etiqueta. Ela postula que, se você colocar um preço acima do preço dos demais concorrentes, suas vendas irão cair drasticamente e, por essa razão, o agente não tem incentivos para fazer isso… pois acabará indo à falência!

Para que tal mercado competitivo funcione adequadamente é necessário que exista livre entrada e saída do mercado. Ou seja, no exemplo proposto é necessário que eu possa abrir uma fazenda sem muitas dificuldades burocráticas e possa fechá-la com a mesma facilidade.

Vamos entender o que quer dizer “tomadores de preços” com um exemplo:

Suponha que existam várias lojas vendendo o mesmo produto – o produto X – e que os produtos vendidos sejam homogêneos e que o preço de mercado seja 8 reais. Pois bem, se apenas uma das lojas aumentar o preço do produto X de 8 para 10 reais, essa loja vai ter uma grande queda na quantidade de produtos X vendidos, já que os consumidores tenderão a comprar em alguns dos concorrentes que ofertam o produto X por apenas 8 reais, por isso se a loja quiser sobreviver em tal mercado competitivo é necessário que ela acate os preços de mercado.

CRÍTICAS

A ideia que explicamos está longe de ser consensual. A mesma já foi alvo de diversas críticas de economistas renomados. Entre os pensadores que criticaram tal ideia podemos destacar J.M. Clark e Fritz Machlup (HAYEK, 2022). Mas talvez a principal e mais consistente crítica à teoria da concorrência perfeita veio de um economista que é visto como um grande defensor do livre-mercado, F.A. Hayek (2022).

Sua crítica pode ser encontrada principalmente no ensaio O Significado da Competição – que está disponível em português – no capítulo V da obra A Ordem Econômica e a Livre Iniciativa (2022). O ensaio de Hayek serviu de inspiração para diversos economistas elaborarem diversas críticas à teoria de competição perfeita e serviu de base para que fossem trazidas novas noções de competição. Entre esses economistas influenciados por Hayek podemos destacar Israel. M. Kirzner, que em sua obra Competição e Atividade Empresarial (2012) escreve o seguinte: 

“Nas décadas que se seguiram ao ensaio de Hayek, porém, alguma atenção ocasional passou a ser dada, na literatura, à necessidade de uma teoria do processo competitivo, e é reconhecido por todos, pelos menos, que o modelo de competição perfeita não fornece uma teoria de qualquer processo que seja. Embora seja demais afirmar que o ensaio de Hayek, finalmente, tenha feito os economistas reconhecerem a distinção entre competição como processo e competição como situação resultante de um processo, passou-se a reconhecer que a teoria do equilíbrio competitivo deve ser suplementada por uma teoria do processo, e que a noção de competição dos leigos pode fornecer aos menos um indicador para a construção de tal teoria.”

(KIRZNER, 2012, p. 87)

Concorrência MONOPOLÍSTICA – Competição IMPERFEITA

REFERÊNCIAS:

HAYEK, F. A. von.  A ordem econômica e a livre iniciativa. Tradução de Carlos Szlak. 1. ed. São Paulo: Faro Editorial, 2022.

KIRZNER, Israel. M. Competição e atividade empresarial. Tradução de Ana Maria Sarda. – 2. ed. São Paulo : Instituto Ludwig von Mises. Brasil, 2012.

MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. Allan Vidigal Hastings, Elisete Paes e Lima, Ez2 Translate.  6. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013.

MARSHALL, Alfred. Princípios de Economia. Tradução de Rômulo Almeida e Ottolmy Strauch. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

Gabriel Almeida Braga

Gabriel Almeida Braga

Escritor, estudante de Ciências Econômicas, gosta principalmente de Microeconomia e da História do Pensamento Econômico (HPE), graduando em Administração de Empresas, cofundador da Apptime, fundador da iniciativa Economia para Iniciantes e editor-chefe do site Econotime.

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