Concorrência Monopolística – O que é | Publicidade

Em um texto anterior vimos o que é Concorrência Perfeita e hoje conheceremos outra teoria relacionada às estruturas de mercado, a Concorrência Monopolística.

Uma situação de Concorrência Monopolística tem muitas semelhanças com a Concorrência Perfeita. A primeira semelhança é que em ambas as estruturas de mercado não existem muitas barreiras para entrada ou saída da empresa. Portanto, é possível abrir ou fechar uma empresa sem muitas dificuldades burocráticas (BRAGA, 2022). Outra semelhança é que em ambas existe um considerável número de vendedores competindo entre si (MANKIW, 2013).

Porém, apesar das semelhanças entre ambas as estruturas, também existem diferenças consideráveis. A principal é que enquanto na Concorrência Perfeita os produtos ofertados são homogêneos, na concorrência monopolística os produtos não são iguais, mas sim apenas relativamente parecidos. Ou seja, existe o que chamamos de diferenciação de produtos. Daí vem o termo “competição monopolística”, pois nessa estrutura de mercado, cada empresa funciona como se fosse uma espécie de pequeno monopólio, já que só ela fornece aquele produto ou serviço daquela exata forma.

Mas devemos observar que ao contrário do que acontece numa situação de Monopólio, a competição não deixa de existir, pois em tal estrutura de mercado os bens tem substitutos próximos, o que faz com que as empresas tenham que competir entre elas, pois, embora os consumidores não possam trocar os produtos por outros exatamente iguais, podem trocar por um produto semelhante.

Para muitos economistas, tal estrutura de mercado pode ser considerada um meio termo entre a concorrência perfeita e o monopólio, e por essa razão, a chamam de competição imperfeita ou até mesmo de concorrência imperfeita.

Na competição monopolística, como cada empresa tem um produto que apenas ela possui, esta detém algum tipo de poder de mercado. Diferentemente da situação de “concorrência perfeita”, onde as firmas são apenas tomadoras de preços.

Na competição monopolística, os empresários têm incentivos para mostrar aos consumidores que seu produto é superior ao dos concorrentes. Assim, essa estrutura de mercado é caracterizada por investimentos em inovações e, principalmente, em publicidade.

Este investimento em publicidade nem sempre é visto positivamente. Os críticos da publicidade veem como algo negativo, pois segundo eles, as empresas usam a publicidade para enganar os consumidores (MANKIW, 2013).

Por outro lado, outros consideram toda essa publicidade positiva, pois segundo eles, as empresas usam a publicidade para informar os consumidores sobre a existência, qualidade e caraterísticas de seus produtos (MANKIW, 2013).

Claro que existem outras críticas e defesas sobre a importância da publicidade na economia. Inclusive dois dos maiores economistas do século XX, John Kenneth Galbraith e F.A. Hayek debateram sobre o tema (MANKIW, 2013).

Como mostra Mankiw (2013) em sua obra “Introdução à Economia”, para Galbraith as empresas usam a publicidade para criar demanda por produtos que as pessoas não querem. Hayek discorda da visão apresentada por John. O austríaco argumenta que publicidade é apenas uma parte de um fenômeno maior já que, segundo ele, o ambiente social influencia muitas das nossas preferências (MANKIW, 2013).

Vamos a um exemplo: o gosto por filmes é algo adquirido ao longo da vida. A necessidade de ir ao cinema foi criada em algum momento por influência de alguém, mas isso não torna a pessoa que o influenciou – seja seu pai, tio, amigo ou quem quer que seja uma influência negativa. O austríaco ainda escreve que:

Como cada produtor acredita que os consumidores podem ser induzidos a gostar de seus produtos, ele procura influenciá-los. Entretanto, embora esse esforço seja parte das influências que modelam o gosto do consumidor, nenhum produtor, em sentido real, consegue ‘determinar’ essas preferências.

(HAYEK, 1961, apud MANKIW, 2013, p. 323)

Um bom exemplo de um mercado que apresenta concorrência monopolística é o mercado de Fast Food, onde existem diferentes redes restaurantes que, embora apresentem semelhanças, não são iguais, sendo suas diferenças perceptíveis aos consumidores.

A teoria apresentada no presente texto está longe de ser um consenso, embora seja considerado que a Concorrência Monopolística seja mais comum no mundo real do que a concorrência perfeita.

Alguns importantes economistas também a consideram uma teoria insatisfatória. A maior crítica veio de Israel Kirzner, cuja visão, expressa no capítulo 3 da obra “Competição e Atividade Empresarial” pode ser sintetizada da seguinte forma:

A teoria da competição monopolística tentou substituir uma teoria do equilíbrio em que as condições pressupostas violam claramente as condições do mundo real por outra teoria do equilíbrio, em que as condições pressupostas parecem estar em conformidade mais estreita com as encontradas no mercado. O que ela desprezou foi que o que tornava a velha teoria do equilíbrio em competição perfeita tanto teoricamente insatisfatória como em contradição com os fatos não eram tanto suas próprias pressuposições específicas, como o fato de essas pressuposições fazerem dela uma teoria do equilíbrio. Logo, substituindo-se a velha teoria do equilíbrio por uma nova teoria do equilíbrio, preservava-se a inadequação teórica da velha teoria, ao mesmo tempo que se deixava de oferecer a mais simples explicação dos fenômenos do mundo real que ela não conseguia explicar. Qualquer que tenha sido o poder de atração da nova teoria do equilíbrio de competição monopolística, deve-se considerar que ela efetivamente impediu que se chegasse à teoria do processo de mercado que tanta falta tem feito à teoria moderna do preço.

(KIRZNER, 2012, p.104)

REFERÊNCIAS:

BRAGA, Gabriel. Almeida. https://econotime.com.br/2022/05/17/mercado-competitivo-concorrencia-perfeita-o-que-e/ (acesso: 19/05/2022)

KIRZNER, Israel. M. Competição e atividade empresarial. Tradução de Ana Maria Sarda. – 2. ed. São Paulo : Instituto Ludwig von Mises. Brasil, 2012.

MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. Allan Vidigal Hastings, Elisete Paes e Lima, Ez2 Translate.  6. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013.

Gabriel Almeida Braga

Gabriel Almeida Braga

Escritor, estudante de Ciências Econômicas, gosta principalmente de Microeconomia e da História do Pensamento Econômico (HPE), graduando em Administração de Empresas, cofundador da Apptime, fundador da iniciativa Economia para Iniciantes e editor-chefe do site Econotime.

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