O que são BENS DE GIFFEN | definição e exemplos

Como já abordamos em outro lugar, a Lei da Demanda diz que quando o preço de um bem aumenta, a quantidade demandada deste bem tende a cair. Entretanto, o saudoso economista britânico, Alfred Marshall, em sua obra Princípios de Economia (1996) argumentou que em raríssimas ocasiões podem existir exceções à essa regra. Esses bens que são uma exceção à essa regra são conhecidos como Bens de Giffen. São conhecidos desta forma porque, quando Marshall (1996) argumentou sobre sua existência, disse que quem fez essa descoberta foi o economista escocês Sir Robert Giffen (MARSHALL, 1996). Nas palavras de Marshall:

Há, no entanto, algumas exceções. Por exemplo, como notou Sir. R. Giffen, uma alta no preço do pão drena a tal ponto os recursos das famílias operárias e eleva a tal ponto a utilidade marginal do dinheiro para elas, que essas famílias ficam obrigadas a reduzir seu consumo de carne e de alimentos farináceos mais caros. E como, apesar de tudo, o pão é o alimento mais barato que podem obter, em lugar de diminuir a quantidade de pão que consomem, passam a consumi-lo em maior quantidade. Tais casos, porém, são raros; quando os encontramos, cada um deles deve ser tratado segundo seus próprios méritos.

(MARSHALL, 1996, p. 196)

Basicamente, enquanto a Lei da Demanda diz que, ceteris paribus, quando o preço do bem sobe a quantidade demandada desse bem cai, quando se trata de um Bem de Giffen, a quantidade demandada aumenta quando o preço sobe e esse acontecimento ocorre porque o efeito renda é tão forte que supera o efeito substituição (MANKIW, 2013).

Ou seja, a regra geral é:

Lei da Demanda: P ↑ Qd ↓

Mas para o Bem de Giffen: P ↑ Qd ↑

P= Preço

Qd= Quantidade demandada

Como mostrado na obra “O Livro da Economia” o Bem de Giffen depende de certas suposições:

  1. Deve ser um bem inferior, ou seja, um bem que as pessoas comprem menos à medida que sua renda aumenta por haver opções melhores. No nosso exemplo carne em detrimento do pão.
  2. O consumidor deve gastar uma boa parte da sua renda nesse produto, por isso o exemplo se refere à parcela mais pobre da sociedade.
  3. Não podem existir produtos alternativos e semelhantes. No nosso exemplo não existirem alternativas ao pão que sejam mais baratas.

É importante observar que embora o Bem de Giffen original tenha sido o pão, isso de forma alguma significa que o pão necessariamente seja um Bem de Giffen em todas as ocasiões. O termo não é usado para se referir a um bem específico como pão, arroz, feijão ou qualquer outro. O termo é utilizado para se referir à:

bens inferiores para os quais o efeito renda domina o efeito substituição.”

(MANKIW, 2013, p. 429)

Temos poucos exemplos concretos de Bens de Giffen ao longo da história, inclusive muitos economistas contestam se eles de fato existem ou existiram.

Muitos historiadores econômicos sustentam que as batatas foram, efetivamente, um Bem de Giffen durante um período que ficou conhecido como “Fome das Batatas na Irlanda”, que durou de 1842-1853.

No ano de 2007 os economistas de Harvard, Robert Jensen e Nolan Miller realizaram um estudo na China onde “encontraram fortes evidências de que as famílias pobres apresentavam o comportamento de Giffen.” (MANKIW, 2013, p. 429). No estudo dos referidos economistas o Bem de Giffen era o arroz.

REFERÊNCIAS:

O Livro da Economia: https://amzn.to/3tXnvM1

MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. Allan Vidigal Hastings, Elisete Paes e Lima, Ez2 Translate. 6. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013.

MARSHALL, Alfred. Princípios de Economia. Tradução de Rômulo Almeida e Ottolmy Strauch. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

Gabriel Almeida Braga

Gabriel Almeida Braga

Escritor, estudante de Ciências Econômicas, gosta principalmente de Microeconomia e da História do Pensamento Econômico (HPE), graduando em Administração de Empresas, cofundador da Apptime, fundador da iniciativa Economia para Iniciantes e editor-chefe do site Econotime.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.