Preços livres vs Controle de preços | Comparação

I — SISTEMA DE PREÇOS — ALOCAÇÃO DE RECURSOS

Chamamos de sistema de preços a inter-relação dos indivíduos em cadeia global, através das informações e sinais emitidos pelos preços. Quando livres para exercer suas funções, os preços tornam-se capazes de transmitir valiosas informações aos agentes econômicos para que assim eles possam tomar as decisões que julgarem mais adequadas.

O aumento no preço de uma mercadoria sugere que esta tornou-se relativamente mais escassa, portanto a consequência dessa elevação no preço será, ceteris paribus, uma queda na quantidade demandada desse bem. A elevação do preço de uma mercadoria informa maiores oportunidades de lucros, logo mais empreendedores tendem a entrar nesse mercado. Com mais empreendedores, teremos mais competidores e, portanto a produção do bem tende a aumentar (juntamente com os produtos substitutos) o que torna a mercadoria mais acessível e barata.

Os preços, quando livres, transmitem valiosas informações para diversos indivíduos ao redor do globo. Por exemplo: um mecânico, que mesmo sem saber de uma relativa escassez do aço na índia, percebe através dos preços que suas ferramentas de trabalho estão mais caras do que antes. Muitas informações relevantes para que ele tome a decisão mais adequada estão sintetizadas no preço.

Imagine um fabricante de relógios. No Input de sua produção existe uma diversidade de insumos que são necessários para confecção do relógio. Querendo deixar seus relógios mais valorosos, esteticamente falando, busca embutir detalhes chamativos de uma nobre platina. Como a platina é um metal relativamente escasso, o preço tende a ser altíssimo. Quando o fabricante de relógios deparar-se com o alto preço da platina, ele pensará duas vezes antes de adquirir esse nobre metal. Ao não comprá-lo estará contribuindo para formação do preço daquela platina e também estará deixando para as indústrias que necessitam mais dela.

Os preços ajudam os compradores e vendedores na tomada de decisão, quando acontece a elevação relativa dos preços de uma dada mercadoria os consumidores obtêm informações valiosas. O alto preço de um bem pode fazer com que os agentes substituam a mercadoria ou mesmo aceitem pagar mais caro pela mercadoria. A elevação do preço é um sinal informativo aos homens de negócios que poderá ser lucrativo aumentar a oferta da mercadoria, um aumento da oferta dessa mercadoria tenderá a fazer o preço baixar por consequência o mesmo se tornará mais acessível.

II — SISTEMA DE PREÇOS — O PROCESSO DE DESCOBERTA

O processo de descoberta por meio dos preços é como um grande quebra-cabeça, existem diferentes peças de diferentes cores, tamanhos e imagens, que se conectam de acordo com a oferta e com a demanda. Mas como descobrir todas as necessidades urgentes? Como atender todas as milhares de pessoas que atuam no mercado? A reposta é: através do sistema de preços, por meio das constantes modificações da oferta e da demanda.

Quando uma parcela de indivíduos demanda maior quantidade de uma mercadoria, o preço tende a subir. Isto aumentará a lucratividade dos produtores, que por sua vez, procuram expandir sua produção. Os vendedores serão atraídos a esse mercado, seduzidos pelos altos preços, assim auxiliando na expansão da oferta dessa mercadoria.

Com a expansão da oferta o preço tende a baixar, reduzindo a margem de lucro geral. A demanda pode baixar ou a oferta pode aumentar muito, minimizando ainda mais os preços e deixando a margem de lucro baixa, gerando a retração de algumas empresas que não sustentam sua produção ou fazendo migrar a outras mercadorias.

Observe que os preços foram fundamentais na descoberta dos desejos. Quando os agentes econômicos precisam de algo, demandam mais e os preços informam essa necessidade com sua elevação. Quando não desejam, a queda nos preços informará os produtores que a demanda diminuiu.

III — INTERVENÇÃO NOS PREÇOS — CONTROLE DE PREÇO

O controle de preços normalmente é uma intervenção estatal no sistema de preços livres. O governo determina teto de preços para uma ou mais mercadorias com o discurso de que X produto é essencial e não pode faltar na mesa da população. Existe mais de uma variação de controles nos preços, mas iremos tratar de descrever a fixação de um preço máximo para um determinado produto.

Como sabemos, os preços podem subir por alguns motivos que já foram citados e dentre os principais motivos estão a inflação e a demanda que excede a quantidade de mercadorias. Os efeitos de ambos fazem com que preços sejam alterados e subam, então não necessariamente a causa de um aumento de preços é culpa de um ou outro, pode até mesmo ser fruto de uma junção dos dois fatores.

Suponhamos que o produto X teve uma alta nos preços, essa alta nos preços fez com que a comoção popular chegasse a políticos populistas sedentos por votos. Sendo assim, o controle de preços é imposto ao produto X, o que faz com que seja estipulado um preço máximo definido por lei, preço máximo que é menor que o preço de “equilíbrio”.

O produto X tinha uma precificação precisa, quando o preço determinado foi calculado, nele estava um valor que deveria suprir por unidade (ou escala) toda a cadeia do seu custo de produção, os lucros e outros fatores internos. Com o seu preço artificialmente baixo sua produção sofrerá alguns agravantes para suprir todo o arranjo envolvido em sua produção.

Com preços baixos a demanda pelo produto X tende a subir, essa demanda pode muito bem adquirir mais de uma mercadoria fazendo com que produtos faltem para mais pessoas. Antes o produto X era consumido por uma quantidade de consumidores que precisavam desse bem, mas com os preços artificialmente baixos, torna-se atrativo para uma quantidade maior de indivíduos o adquirir, o que gera pelo lado dos consumidores um incentivo ao consumo desenfreado do produto X e por outro lado, o lado da oferta, é gerado um desincentivo a sua produção. Devido a esses fatores, ceteris paribus, o produto X vai ficar bem mais escasso.

No momento em que foi determinado o decreto da fixação do preço mais baixo, a quantidade de pessoas que irão demandar esse bem passou a ser maior do que a oferta, pelo mecanismo de mercado, o preço subiria fazendo racionamento de quem realmente estaria disposto a adquirir aquele bem, mas com o preços impossibilitados de agir livremente a dedução será de não atender a demanda excedente, uns encontram pouco ou nada do produto X.

Torna-se comum a prática do suborno a fornecedores e vendedores do produto, consumidores que têm uma proximidade maior com o vendedor ou que estão aptos a suborná-los assim o fazem, sendo possível adquirir o produto em meio a escassez. Com o preço do produto X menor do que o custo de produção e com os lucros reduzidos a quantidade de mercadoria produzida tende a diminuir, uma vez que, quase inexiste a possibilidade de arcar com os custos de produção.

Os produtores marginais são os primeiros repelidos do mercado, fazendo com que uma quantidade menor do produto X seja ofertado nas lojas de fornecimento, a escassez assim vai se agravando cada vez mais. Com a produção interrompida, a quantidade de pessoas empregadas nas indústrias (juntamente com fornecedores dessa indústria) tende a cair como resultado da elevada margem no custo de produção comparada ao lucro que está reduzido, torna-se impossível arcar com todas as despesas da empresa, incluindo os salários.

Impossibilitados de produzir o produto X, os produtores migram para bens semelhantes em que o preço não está controlado e com as mesmas características de produção para que seja possível começar a produzir, auferindo lucros que superam o custo da cadeia de produção.

Com a evidente escassez, o governo então começa a adotar uma série de medidas para conter a carência do Produto X. Dentre essas medidas propõem em prática o racionamento, assumindo o papel de distribuir de modo que não haja perdas de consumidores pobres para os ricos. Existe um equívoco ao qual o racionamento tenta, de maneira artificial, fazer o que os preços faziam naturalmente através de seu mecanismo de informação, independente de quanto queira cada consumidor todos terão de igual modo, mesmo que um esteja disposto a pagar mais e outro menos.

Outra medida que o governo adota para “evitar” a escassez do produto X é controlar os custos de produção. Esse é um ponto muito interessante e desafiador a qualquer burocrata.

Tal medida parece muito convincente no começo, os custos de produção são maiores que seu preço final — Porque então não controlar os preços dos insumos usados na confecção do produto X ou toda sua cadeia de produção? Inicialmente torna-se novamente mais barato produzir o produto X pelo fato de seu custo de produção diminuir, mas novamente acontecerá outra escassez consequencial do controle de preços, não somente do produto X, como dos produtos que são fornecidos para sua produção.

Exemplo: Suponhamos que o produto seja a carne.

Sua expansão e confecção torna-se inviável com as margens de lucro reduzidas. O governo tenta impulsionar a produção da carne controlando o preço da ração alimentícia do gado, assim assegurando uma suposta subsistência à produção, mas não levará muito tempo até que os mesmos efeitos que aconteceram às indústrias da carne venham a acontecer com a indústria de ração. Novamente o governo será incentivado a controlar o preço dos insumos de fabricação da ração. A cada meio de produção que o governo controlar, maior será a escassez.

O controle estatal tenderá a estender-se por toda a economia até que todos os preços, salários e a produção sejam regulamentados ao ponto de tudo ser determinado por burocratas. Os demandantes e os produtores não conseguem ver outras opções e se aventuram em outros mercados. Os produtores marginais vão buscar outras formas de produção e os consumidores irão recorrer a mercados paralelos, normalmente descritos como “mercados negros”.

O mercado negro no presente caso surge devido as leis de controle de preços. Normalmente as mercadorias são de baixa qualidade, os preços são altos.

A consequência do estabelecimento de um preço máximo abaixo do preço de “equilíbrio” é que faltará mais unidades do produto X no mercado legal, então a consequência de tal ato é uma alta escassez do produto cuja a suposta intenção era que ficasse acessível a todos.

Eduardo Caetano

Eduardo Caetano

Estudante de Ciências Econômicas e aspirante a escritor.

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