O que é Economia? | Definição, Escassez, Usos Alternativos

Introdução

Não existe consenso entre os economistas sobre qual a definição de economia que é a mais precisa, porém, no presente texto, analisaremos uma definição clássica de economia, proposta pelo saudoso economista britânico, Lionel Robbins (1898-1984).

“A Economia é a ciência que estuda o comportamento humano como uma relação entre fins e meios escassos que têm usos alternativos.”

Lionel Robbins
Lord Lionel Robbins (1898-1984)

Escassez

Antes de qualquer coisa, é necessário entender o que escassez significa:

“a somatória daquilo que todo mundo quer supera o que realmente está disponível”

Thomas Sowell.

Pode parecer simples, mas esse princípio leva a conclusões importantes. Vamos voltar à definição de Robbins sobre economia. Ele diz que as necessidades são ilimitadas (atenção nesse ponto) e isso torna a grande maioria dos recursos escassos. Afinal, não há o suficiente para satisfazer todas as necessidades humanas, visto que quando uma necessidade é superada, surgem outras.

Muitos renomados economistas seguiram a mesma linha do professor Robbins ao definirem economia. Por exemplo, o Nobel em economia, Gary Becker (1930-2014), em sua famosa obra “Economic Theory” define economia como:

“O estudo da distribuição de recursos escassos para satisfazer fins conflitantes”

Além dessas outras definições de economia, muitos utilizam literalmente a definição do professor Robbins, como por exemplo o professor Thomas Sowell que a replica em sua obra “Economia Básica”.

Alguns exemplos de bens escassos são: comida, moradia, serviços, diamantes, o tempo que temos disponível, entre outros.

Professor Thomas Sowell (1930-)

Usos Alternativos

Outro ponto interessante da definição de economia de Robbins é que ele nos mostra que os recursos, além de escassos, têm usos alternativos: como os bens têm usos alternativos e eles são escassos, não é possível usá-los quantas vezes quisermos: as coisas gastam, desgastam, deterioram com o uso. É impossível comer a mesma comida duas vezes. É impossível usar um bem para múltiplas finalidades distintas e conflitantes simultaneamente: não dá para dirigir um carro para o sul e para o norte ao mesmo tempo; não dá para usar a mesma porção de terra para cultivar soja e trigo simultaneamente . Essas são restrições que a realidade nos impõe e não é possível fugir delas, contorná-las ou desobedecê-las.

Agora, combinando essas impossibilidades citadas com o fato de que nós temos determinadas necessidades e para satisfazê-las precisamos usar recursos escassos, pode-se concluir que certas formas de utilizar os recursos irão nos satisfazer mais do que outras, logo, é necessário decidir como faremos uso deles, ou seja, como alocar os recursos escassos. Sempre há uma tomada de decisão nos esperando. Inclusive, não fazer nada, por si só, já é uma decisão.

A Laranja é um exemplo de um bem escasso que tem usos alternativos.

Desejos Ilimitados

Agora vamos entender o porquê dos nossos desejos serem considerados ilimitados. Aqui daremos duas razões pelas quais os desejos são ilimitados, e a primeira é:

As necessidades básicas: fome, sede, sono, saúde, higiene, entre outras. E essas necessidades voltam com recorrência, não há como saciá-las de uma vez por todas. Iremos solucionar essas necessidades quando elas aparecerem. Mas uma vez que estas são supridas, buscamos saciar outras necessidades e atingir novos objetivos até que essas necessidades mais básicas precisem de atenção novamente.

-A segunda razão surge desses novos objetivos. Alguém que viveu na pré-história poderia pensar que não existem outras demandas além daquelas que ele estava acostumado a ver. Essa pessoa não sentiu falta de energia elétrica, vontade de comer chocolate, de assistir a um filme ou acessar à internet. Esses desejos modernos não passavam pela mente dos povos mais antigos, mas hoje nós os sentimos, o que houve no meio do caminho? A resposta é: os povos mais modernos têm objetivos que os mais antigos não tinham pois sequer tinham pensado neles, e esses objetivos foram sendo criados ao longo do tempo, gerando demanda por soluções e inovações. Em algum momento, o homem descobriu o fogo e percebeu que a carne ficava melhor quando aquecida, percebeu que era possível usar o fogo para se aquecer no frio e o usar para múltiplas outras finalidades, o que o incentivou a aprender a dominar o fogo em seu. Cada uma das coisas que existem hoje surgiu porque alguém quis atingir um objetivo a partir de uma insatisfação que sentia e que tentou solucionar, e daí surgiram necessidades que não existiam antes.

As pessoas buscam elevar seu padrão de vida. Porém elas não são iguais e para entender isso é necessário enxergá-las como indivíduos. Nossos desejos não são iguais aos dos outros. Todos necessitamos de comida, porém nossos paladares são diferentes, você pode gostar de pizza, mas um amigo seu não, e vice-versa. Os desejos se diferem até mesmo em irmãos gêmeos que foram criados pelos mesmos pais, estudaram na mesma escola e dividiram a mesma casa.

Homens das Cavernas dominando o fogo.

Conclusão

A definição de Robbins, entre outras coisas, diz que os recursos são escassos, afinal caso não existisse escassez, não faria o menor sentido estudar economia nem teria sentido economizar, poupar ou racionar recursos. Todas as coisas das quais sentiríamos falta já estariam ali para nos satisfazer. As leis da economia estariam suspensas. Mas a realidade é que não vivemos nesse mundo hipotético, a escassez é real e a humanidade vive buscando melhores formas de lidar com esse problema.

Referências:

ROBBINS, Lionel. Um ensaio sobre a natureza e a importância da ciência econômica. São Paulo: Saraiva, 2012.

SOWELL, Thomas. Economia Básica: Um guia voltado ao senso comum. Tradução de Carlos Bacci. 5. Ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018

Gabriel Almeida Braga

Gabriel Almeida Braga

Escritor, estudante de Ciências Econômicas, gosta principalmente de Microeconomia e da História do Pensamento Econômico (HPE), graduando em Administração de Empresas, cofundador da Apptime, fundador da iniciativa Economia para Iniciantes e editor-chefe do site Econotime.

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